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Artimanhas de satanás e da maçonaria

Postado em 29-08-2017

Pe. João Batista de A. Prado Ferraz Costa

 

Sabe-se que um dos expedientes mais eficazes de que se vale o inimigo do gênero humano é justamente fingir que não existe. Satanás agradece vivamente, e recompensa copiosamente com bens terrenos, a quantos lhe negam a existência ou lhe diminuem  o poder.

A maçonaria, nas palavras de Leão XIII, é o reino de Satanás. E para alcançar os seus desígnios de destruir completamente toda a ordem religiosa e social, como foi construída pelo cristianismo, e criar  de sua vontade outra completamente diferente, tirando os fundamentos e as normas do naturalismo (cf.  Encíclica Humanum genus de Leão XIII, 1884), a seita maçônica, como um símio, imita Satanás, procurando viver e atuar às ocultas.

A excelente revista francesa Valeurs Actuelles, em sua edição de 6 a 12 de julho próximo passado, publicou uma ampla reportagem sobre a presença e a influência da maçonaria no governo de Emmanuel Macron, com a manchete Macron et les francs-maçons – ses réseaux. Leur influence. Ce qu’ils attendent de lui.

Valeurs Actuelles fala da grande  satisfação dos maçons com a vitória de Macron e da sedução que este exerce sobre os membros da seita, em razão do seu posicionamento liberal, de sua fé na União Europeia, de sua filosofia progressista e seu projeto humanista. E diz que é possível que o chefe de Estado seja um iniciado. O que teria ficado patente no dia de sua vitória, quando se dirigiu ao Louvre ao som do hino da Alegria de Bethoven, partindo da penumbra para a luz, o que constitui um rito iniciático.

Informa também Valeurs Actuelles, citando nomes, que vários membros do seu governo são efetivamente “irmãos” da seita. Diz ainda a revista francesa que o assunto causou preocupação até junto à Nunciatura Apostólica de Paris, a qual preparou um relatório a respeito e comunicou ao Vaticano o problema da pronunciada influência maçônica sobre o candidato Emmanuel Macron, o que levou Francisco a abster-se de qualquer manifestação sobre as eleições francesas. Quando o certo teria sido apoiar abertamente Marine Le Pen da Frente Nacional, que reúne a nata do catolicismo tradicional francês, o qual se distinguiu pelo valor na luta contra o “casamento homossexual”.

Até aqui nada surpreendente, ainda mais vindo da França, um país que infelizmente, desde 1789, obedece à cartilha da seita. Surpreendente é o que a revista diz: a maçonaria, apesar do seu júbilo pela vitória de Macron e de sua grande influência no governo do candidato do En Marche, fica muito satisfeita quando se diz que sua influência é pequena e que ela está em via de desaparição. Valeurs Actuelles diz que a influência da maçonaria é real mas é difícil de ser demonstrada, não obstante certas nomeações de cargos importantes do governo provarem que Macron chegou realmente a uma composição com a seita. Por exemplo, a ministra da Cultura é uma adepta da antroposofia  de Rudolf Steiner. E a revista diz também que, hoje, fazer aprovar um projeto pelo Senado sem apoio dos “irmãos” é complicado.

Ora, se os métodos astutos da maçonaria são idênticos aos de Satanás, preferindo viver e atuar nas trevas e dando a impressão de ser moribunda,  os seus objetivos têm de ser os mesmos do inimigo do gênero humano. A propósito, Mons. Henri Delassus, na sua importante obra A conjuração anticristã, diz que a maçonaria racionalista do Grande Oriente da França sustenta que, embora a existência de Satã e de sua rebelião não passe de um mito ou de uma lenda, este mito ou lenda é muito útil para ilustrar o objetivo da maçonaria: convencer o homem a rebelar-se contra qualquer autoridade, contra qualquer lei que não seja a sua vontade, a não aceitar, em uma palavra, a autoridade do seu Criador.

Sobre essa visão completamente anticristã do homem defendida pela maçonaria, Valeurs Actuelles diz que leis como a do aborto, da eutanásia e do casamento homossexual correspondem às ideias maçônicas de emancipação do indivíduo, que não aceita nenhum limite moral que não seja fixado por ele mesmo. Diz a revista que um antigo grão-mestre da Grande Loja da França, Pierre Simon, confessa com orgulho que as leis relativas à liberação do aborto foram pensadas e amadurecidas nas lojas antes mesmo de serem debatidas pelos deputados.

Valeurs actuelles reproduz ainda um comentário do filósofo Thibaud Collin ao livro de Pierre Simon De la vie, o qual explica bem a incompatibilidade da antropologia maçônica  com a antropologia cristã: “A vida não passa de um material, o homem tem de construir-se a si mesmo. A maçonaria crê em sua própria utopia. Tudo que é possível a um ser humano pode e deve ser-lhe permitido. A moral decorre do pacto social e não há uma lei natural querida por Deus.”

Sobre as leis de bioética ou as referentes à sexualidade, informa a revista, citando o bispo de Frejus-Toulon, “certo número de lojas fez um trabalho de sapa consciente e determinado. Na visão maçônica, é o homem levado a definir-se a si mesmo. No plano prático, essa visão leva a uma moral do próprio umbigo e subjetivista.”

A ampla reportagem de Valeurs Actuelles sobre Macron e a maçonaria chega à conclusão, com base no citado filósofo que analisou o livro do grão-mestre da Loja da França, de que o humanismo maçônico na verdade é um “transhumanismo”, o qual tem um caráter utópico e recusa  ver o homem em sua finitude física, intelectual, moral, em sua realidade ontológica. Ainda que a maçonaria pretenda que o homem alcance sua emancipação pelo exercício de suas faculdades pessoais, nada impede que ela se valha também dos recursos tecnológicos para ir além.

Como se vê, a maçonaria, assim como o iluminismo e o comunismo, visa à construção de um novo homem que rejeite completamente a obra do Criador. Seguir o Grande Arquiteto do Universo não significa obedecer a Deus que criou tudo do nada, mas pretender gozar de uma liberdade sem limite pela qual o homem seja a sua própria lei. Significa tripudiar sobre o Decálogo e blasfemar contra o Senhor que promete a glória do céu a seus filhos que o amam, servem e lhe obedecem.

É inacreditável que hoje haja tantos católicos, até mesmo na hierarquia, que, desobedecendo ao magistério perene dos papas sobre a maçonaria, colaborem com essa seita que imita Satanás em seu ódio a tudo que é santo e sagrado. É inacreditável que colaborem com essa seita que tenta criar, por meio do falso ecumenismo e do diálogo inter-religioso, uma paródia de religião, a religião dos direitos do homem, que renderá culto a Satanás.

 

Anápolis, 29 de agosto de 2017.

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