Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Código de Ética do Estudante

Postado em 19-06-2018

Em homenagem à memória do saudoso Dr. Newton de Oliveira Quirino, publico abaixo um antigo Código de Ética do Estudante, cuja autoria se atribui ao grande escritor e político brasileiro Plínio Salgado, autor da belíssima Vida de Jesus. Dr. Newton de Oliveira Quirino tinha muito gosto em distribuir entre os alunos da antiga Faculdade de Filosofia São Miguel Arcanjo esse belo código quando vinha ministrar suas aulas na qualidade de professor convidado da instituição fundada pelo também saudoso Dom Manoel Pestana Filho.

A Faculdade São Miguel Arcanjo tinha o objetivo de formar lideranças católicas realmente aptas a pensar os grandes problemas da atualidade à luz dos princípios metafísicos da filosofia perene, tal como formulados pelos grandes pensadores da tradição ocidental, Sócrates, Platão, Aristóteles, Santo Tomás e outros.

O Dr. Newton de Oliveira Quirino distinguia-se por sua inteligência, modéstia e fina educação. Paulista de Santos, como D. Pestana, de quem era grande amigo, era um antigo aluno dos Irmãos Maristas,  bacharel em Direito pela tradicional academia do Largo de São Francisco, bem como sociólogo diplomado pela USP e professor de Metodologia Científica da UNICEUB. Cursou o célebre curso pré-jurídico, anexo à faculdade de direito, tendo sido aluno de grandes professores, como o Mons. Castro Nery e Plínio Corrêa de Oliveira, dos quais guardava grata lembrança.

Tendo pertencido aos quadros da Polícia Civil de São Paulo nos tempos do Dr. Egas Moniz de Arruda Botelho, o Prof. Quirino notabilizou-se por seu trabalho de combate ao crime contra a fazenda pública de tal maneira que mais tarde o governador de São Paulo Jânio Quadros, quando se tornou presidente da República, o convidou para vir estabelecer-se em Brasília a fim de realizar em âmbito nacional o seu relevante trabalho, do que surgiu o embrião da Polícia Federal, hoje tão respeitada pela população brasileira.

Depois de aposentado, veio residir por alguns anos em Anápolis quando tive a honra de privar com ele e ser por ele auxiliado valiosamente na fundação da capela Santa Maria das Vitórias e São José da Boa Morte. Era um homem de caráter, corajoso, um intrépido pró-vida. E indignava-se com o avanço do câncer nacional, o lulopetismo, com o apoio da esquerda católica.

 

Código de Ética do Estudante

Art. 1º – Faze da tua crença em Deus e nos destinos sobrenaturais do homem a luz que te guiará no meio da confusão dos desorientados e da corrupção dos costumes.

Art. 2º – Toma o Brasil que herdaste dos teus maiores e transmite-o, engrandecido e mais belo, à geração que te suceder.

Art. 3º – Imita os heróis de tua Pátria, cultua as tradições da tua gente, confia nas imensas possibilidades do teu povo, fala-lhe transmitindo-lhe o fogo do teu ideal: e, falando ou escrevendo, estudando ou agindo, crê no futuro do Brasil.

Art. 4º – Sustenta o princípio da família e honra a teus pais. A família, primeiro grupo natural, é o próprio fundamento da Pátria,e o bom filho será, forçosamente, bom patriota e saberá um constituir o seu lar com dignidade cristã e sentimento de responsabilidade histórica.

Art. 5º- Sê honesto em tudo o que pensares, disseres ou fizeres. Reflete antes de dares a tua palavra e, se a empenhares, cumpre-a, ainda que isto te custe o maior sacrifício. Evita, pois, prometer o impossível e considera desonroso prometer e não cumprir.

Art. 6º – És estudante e deves estudar, és moço e podes divertir-te. Lembra-te, entretanto, de que és também brasileiro e deves uma parte do teu tempo aos interesses da tua Pátria.

Art. 7º – Honra o diploma que um dia conquistares, mas não o coloques acima do teu saber.

Art. 8º – Não permitas que o profissional elimine o homem que vive em ti.

Art. 9º – Nos exames e concursos, nas empresas que empreenderes e nas funções que desempenhares, se não puderes ser o primeiro, procura, ao menos, ser um dos primeiros.

Art. 10º – Jamais coloques as conveniências da tua carreira política, profissional ou social, acima de tua trajetória moral e espiritual, em que o vulgo talvez não te perceba, mas em que te elevarás aos olhos de Deus, engrandecendo-te ainda perante a posteridade.

Art. 11º- Lembra-te sempre de que a verdadeira grandeza está na virtude e não no êxito dos negócios ou da carreira, porque os bens do mundo são inconstantes e podes perdê-los, ao passo que os bens acumulados em ti mesmo, à custa de aperfeiçoar-te no saber e na dignidade, nenhuma força conseguirá destruí-los.

Art. 12º- Nunca julgues o valor dos homens pelo poder ou pelas honrarias que desfrutam; julga-os, antes, pelo teor do caráter que se revela na coerência das atitudes, na humilde simplicidade ao colher o louro da vitória e na calma viril ao sofrer o peso da derrota.

Art. 13º – A altitude de um montanha só se avalia do alto de outra montanha; eleva-te, portanto, moralmente, e só assim poderás ter noção exata da grandeza ou da mesquinhez dos homens do teu tempo.

Art. 14º – Não te impressiones com a riqueza dos ricos e o brilho dos que esplendem em altos postos; impressiona-te, sim, com a sabedoria dos sábios, o heroísmo dos heróis e a santidade dos santos.

Art. 15º – Combate todas as normas ditas do Direito, originadas pela imposição da força; cultua a verdadeira justiça, que se funda na razão e se inspira nos valores espirituais. Contribuirás, assim, pelo predomínio do moral sobre o material, para que reine a verdadeira paz entre as pessoas e as nacionalidades.

Art 16º – Prefere a minoria esclarecida à maioria inconsciente e cega pelas paixões e interesses transitórios.

Art. 17º – Habitua-te a consultar o mais íntimo da tua consciência, a fim de que não te iludas por alguma voz que te engana, falando em lugar dela, nas horas em que te deixas levar pelas paixões ou pelo desejo de desempenhar um bonito papel cortejando a fácil popularidade.

Art. 18º – Não sejas como os ignaros, que se guiam pelos títulos de jornais escandalosos e dão crédito, sem nenhum exame, ao que está em letra de forma.

Art. 19º – Ensina o povo a raciocinar; é este o meio de o libertar dos tiranos, dos aventureiros e mistificadores.

Art. 20º – Evita a demagogia balofa, o palavreado sonoro e vazio, a literatice banal, os tropos oratórios sem conteúdo. Fala quando tiveres o que dizer e dize-o com sinceridade, porque a força do discurso está na convicção do orador.

Art. 21º – Arranca a juventude da disponibilidade, da inércia e da indiferença que a aviltam; faze-te apóstolo, dissemina entusiasmo, mobiliza os da tua idade para a obra fascinante da construção nacional.

Art. 22º – Estuda os problemas nacionais, tendo em vista que não existem problemas isolados, pois todos se conjugam e devem ser resolvidos em largo plano de realizações.

Art. 23º – Entre um lugar no governo e um lugar honroso na história, prefere este, do qual ninguém poderá remover-te, nem demitir-te, nem aposentar-te.

Art. 24º – Sê um homem de pensamento, mas sê um homem de ação. O pensamento para transformar-se em ação precisa primeiro transformar-se em sentimento. Idéia que não é sentida é idéia morta. A ação é forma objetiva de ideias vivas, oriundas de realidades e criadoras de novas realidades. Cultiva o ideal, mas sê realista.

Art. 25º – Procura conhecer a fundo a profissão que abraçares; faze dela um instrumento da tua cooperação na obra da felicidade humana e da prosperidade da Pátria.

Art. 26º – Não abdiques nunca a tua personalidade para vestir a libré de áulico, ou beijar as mãos que distribuem empregos ou bons negócios em troca da alma dos beneficiados.

Art. 27º – Combate o burguês que está dentro de ti. A burguesia não é uma classe. É um estado de espírito. É o conformismo, o comodismo, o interesse vulgar, o prazer mesquinho,a submissão ao cotidiano, o fatalismo inerme, a indiferença criminosa, o abandono à rotina, o egoísmo cego, a ostentação ridícula, a descrença e a incapacidade de ação. Liberta-te desse mal do século. Será o primeiro passo para a libertação de tua Pátria e da própria humanidade, hoje oprimida pelos seus próprios vícios.

Art. 28º – Não te consumas em elocubrações estéreis e dúvidas doentias alimentadas por ti mesmo. Entre negativos e dubitativos, sê afirmativo.

Art. 29º – Primeiro convence-te; depois, convencerás os outros.

Art. 30º – Não te faças escravo do último livro que leres.

Art. 31º – Sê brasileiro. Não é difícil. Basta que sejas o que és e não o que os estrangeiros e os “snobs”, os internacionais e os cosmopolitas querem que sejas.

Art. 32º – Pergunta diariamente a tua consciência: que fiz hoje para enriquecer a minha inteligência, para aprimorar as minhas virtudes, para beneficiar meus semelhantes, para servir a minha Pátria e para agradar a Deus?

Art. 33º – Estuda a história do Brasil, não como espectador, mas sim como um participante dos acontecimentos por ela revelados. No momento em que a estudas, constituis uma continuidade da narrativa heróica, és a derradeira palavra do passado e a primeira do futuro.

Art. 34º – Aprimora-te na arte de bem falar e bem escrever a tua língua. Um povo que perde a tradição da palavra, acaba perdendo todas as tradições, porque o idioma vernáculo é o veículo da história e o instrumento intelectual da personalidade de uma pátria.

Art. 35º – Festeja com alegria a ressurreição de um jovem que estava morto e apodrecia no sepulcro da indiferença, do desânimo, da dúvida ou da sensualidade, porque, nesse momento, o Brasil tornou-se mais forte.

Art. 36º – Procura, primeiro, compreender para depois te fazeres compreendido. Se assim não procederes, em vez de atrair, irritarás e, longe de conquistar um amigo, arranjarás um inimigo.

Art. 37º – Sê cavalheiro na palavra que dizes e no tom em que a proferes. Isso não te  impede de sustentar as tuas convicções e terás mais facilidade em transmiti-las.

Art. 38º – Não afirmes em detrimento de outrem senão aquilo que tiveres como certo e, assim mesmo, quando isso for necessário para evitar maior mal. Combate a desgraça nacional da calúnia, da injúria e da maledicência, evitando conversas ociosas a respeito de pessoas. Eleva o nível das tuas conversações e imprime aos teus debates uma impecável linha de elegância.

Art. 39º – Confessa o teu erro se te surpreenderes errado. Não sofismes por vaidade ou mal compreendido no amor próprio, a fim de não passares por desonesto ou pouco inteligente.

Art. 40º – Se és incapaz de sonhar, nasceste velho. Se o teu sonho te impede de agir segundo as realidades, nasceste inútil; se, porém, sabes transformar sonhos em realidade e tocar as realidades que encontras com a luz do teu sonho, então serás grande na tua Pátria e a tua Pátria será grande em ti.

 

Jucá Pirama

Gonçalves Dias

 

Não chores, meu filho,

Não chores que a vida

É luta renhida:

– Viver é lutar!

 

Se o duro combate

Aos fracos abate;

Aos bravos, aos fortes

Só pode exaltar!

 

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Este era o conteúdo do folheto que o Dr. Newton de Oliveira Quirino distribuía aos seus alunos, com tanta simpatia, em sua primeira aula.

Seria interessante descobrir a data da redação do Código de Ética do Estudante de Plínio Salgado. Pelo seu teor nacionalista suponho que remonte aos anos trinta, ainda no período de atuação da Ação Integralista Brasileira, antes do seu exílio em Portugal.

Da sua leitura resulta inevitável uma comparação chocante da realidade de então com a decadência moral dos jovens dos nossos dias. Se o compusesse hoje, o autor teria de acrescentar ao menos 4 artigos:

Art. 41º – Não te deixes fascinar por grosseiras artes neopagãs tais como a tatuagem, as vestes indecentes e provocantes, nem experimentes o sedutor gosto dos entorpecentes, mas antes abomina como crime nefando o narcotráfico.

Art. 42º – Combate como um insulto diabólico ao Criador e ameaça ao futuro da humanidade a ideologia do gênero.

Art. 43º – Luta com inteligência e denodo em defesa do casamento monogâmico e indissolúvel entre um homem e uma mulher como único santuário de transmissão da vida humana.

Art. 44º – Convence-te de que todos esses valores perenes que garantem à sociedade humana a ordem e a justiça só serão plenamente vigentes se fores um soldado de Cristo que militas para reconduzir o Brasil ao Reinado Social de Cristo, como ensinavam os Papas de antes do Vaticano II.