Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Artigo 9 – Se se distinguem convenientemente três graus de caridade: a incipiente, a proficiente e a perfeita.

O nono discute-se assim. – Parece que inconvenientemente se distinguem três graus na caridade – a incipiente, a proficiente e a perfeita.

1. – Pois, entre o princípio da caridade e a sua última perfeição, há muitos graus intermediários. Logo, não se deve dizer que só há um.

2. Demais. –- A caridade, desde que existe, começa a progredir. Logo, não se deve distinguir a caridade proficiente da incipiente,

3. Demais. – Por mais que neste mundo seja perfeita a nossa caridade, é sempre susceptível de aumento, como já dissemos. Ora, o aumentar da caridade é progredir. Logo, a caridade perfeita não deve distinguir-se da proficiente. Portanto, são inconvenientemente atribuídos três graus à caridade.

Mas, em contrário, Agostinho. A caridade, uma vez nascida, cresce, o que é próprio dos incipientes; uma vez crescida, fortifica-se, o que é próprio dos que progridem; uma vez fortificada, aperfeiçoa-se, o que é próprio dos perfeitos. Logo, há três graus de caridade.

SOLUÇÃO. – O aumento espiritual da caridade pode ser considerado à luz do crescimento do corpo humano. Ora, este crescimento, embora possa distinguir-se em várias partes é contudo susceptível de certas e determinada distinções, relativas a determinadas ações ou esforços que provoca no homem. Assim, chama­se idade infantil em que o homem ainda não tem o uso da razão. Depois, distinguem-se-lhe outro estado, quando já começa a falar e usar da razão. O terceiro estado é o da puberdade, quando já é capaz de gerar. E assim por diante, até chegar à perfeição. Ora, do mesmo modo, os diversos graus da caridade distinguem-se pelos diversos esforços que o aumento da mesma provoca no homem. – Assim, há de ele aplicar-se primeira e principalmente, a abandonar o pecado e a lhe resistir aos atrativos, que o levam para o que é contrário da caridade. E isto é próprio dos incipientes, que devem alimentar e estimular a caridade, para que não pereça. – A este sucede o segundo esforço, que leva o homem principalmente a progredir no bem. E este é próprio dos adiantados, que visam sobretudo fortificar a caridade, aumentando-a. – Em terceiro lugar, o homem esforça­se, principalmente, por unir-se com Deus e gozá-lo. E isto é próprio dos perfeitos, que desejam dissolver-se e estar com Cristo. – Pois, do mesmo modo, vemos que a alteração do corpo primeiro afasta-o da origem; depois, aproxima-o do termo; enfim, repousa-o nele.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. – Todas essas distinções determinadas que se podem descobrir no aumento da caridade, estão compreendidas nas três que acabamos de fazer. Assim como todas as divisões do contínuo se compreendem nessas três – o princípio, o meio e o fim, no dizer do Filósofo.

RESPOSTA À SEGUNDA. – Embora os incipientes na caridade progridam, contudo empregam particular estudo em resistir aos pecados, que, pelos seus ataques, os inquietam. Em seguida, sentindo menos esses ataques, buscam já a perfeição como que mais seguramente. Por um lado, praticando obras; por outro, tendo a espada na mão, como diz a Escritura: falando dos edificadores de Jerusalém.

RESPOSTA À TERCEIRA. – Os de caridade perfeita também progridem, mas não é isso o que principalmente visam; senão que o esforço próprio deles consiste, sobretudo, em unir-se com Deus. E embora esse fim também o visem os incipientes e os proficientes, dirigem contudo principalmente os seus esforços para outros fins: os incipientes, para o de evitar o pecado; os proficientes, para o de progredir nas virtudes.