Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Artigo 2 – Se o escândalo é pecado.

O segundo discute-se assim. – Parece que o escândalo não é pecado.

1 – Pois, os pecados não se praticam necessariamente, porque todo pecado é voluntário, como se estabeleceu. Ora, a Escritura diz: É necessário que sucedam escândalos. Logo, o escândalo não é pecado.

2. Demais. – Nenhum pecado procede do afeto da piedade, pois, não pode a árvore boa dar maus frutos. Ora, há um certo escândalo nascido do afeto da piedade; pois, diz o Senhor a Pedro: tu me serves de escândalo, o que comenta Jerônimo dizendo, que o erro do Apostolo, oriundo do afeto da piedade, nunca parecerá um incentivo do diabo. Logo, nem todo escândalo é pecado.

3. Demais. – O escândalo implica tropeço. Ora, nem todos os que tropeçam caem. Logo, o escândalo, queda espiritual, pode existir sem pecado.

Mas, em contrário, o escândalo é um dito ou ato menos reto, Ora, tem natureza de pecado o ato a que falta a retidão. Logo, o escândalo sempre implica o pecado.

SOLUÇÃO. – Como dissemos, há duas sortes de escândalo: o passivo, naquele que se escandaliza; e o ativo, naquele que escandaliza, dando ocasião à queda. Ora, o escândalo passivo é sempre pecado do escandalizado; pois, não se escandaliza senão por, de certo modo, sofrer uma queda espiritual, que é pecado. Pode, contudo haver escândalo passivo sem pecado daquele por cujo ato outro se escandaliza; assim, quando alguém se escandaliza com o bem que outro faz. Semelhantemente, o escândalo ativo sempre é pecado naquele que escandaliza, pois, ou a obra que pratica é pecado, ou porque, se tem o aparência de pecado deve ser omitida, por caridade para com o próximo, a qual nos leva a zelar pela salvação dele; e portanto, quem não o omite age contra a caridade. Pode, porém haver escândalo ativo sem pecado de quem se escandaliza como dissemos acima,

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. ­– O dito – é necessário que sucedam escândalos – não devemos entendê-lo como sendo de necessidade absoluta; mas de necessidade condicional em virtude da qual aquilo de que Deus tem presciência ou que anunciou, acontece necessariamente, consideradas porém as coisas no seu conjunto, como dissemos no Primeiro Livro. – Ou é necessário que sucedam escândalos por necessidade de fim; por serem úteis para aos que são provados ficarem manifestos. ­ Ou é necessário que sucedam escândalos, conforme a condição dos homens, que não se acautelam contra os pecados. Assim como se um médico, vendo certos seguirem um mau regime, dissesse – é necessário que esses adoeçam – o que devemos entender sob a condição de não mudarem de regime. Semelhantemente, é necessário que sucedam escândalos se os homens não mudarem a má conduta.

RESPOSTA À SEGUNDA. – No lugar citado, escândalo é tomado num sentido lato, para significar qualquer impedimento. Porque Pedro queria impedir a paixão de Cristo, por um certo afeto de piedade para com ele.

RESPOSTA À TERCEIRA. – Ninguém tropeça espiritualmente se não puser, de certo modo, tardança no seu caminho, na via de Deus; o que se dá, ao menos, pelo pecado venial.