Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Artigo 9 – Se os artigos da fé estão convenientemente dispostos no símbolo.

O nono discute-se assim. – Parece que os artigos da fé estão inconvenientemente dispostos no símbolo.

1. – Pois, a Sagrada Escritura é a regra da fé, à qual não podemos acrescentar nem subtrair nada, como ela própria o diz: Vós não ajustareis nem tirareis nada às palavras que eu vos digo. Logo, é ilícito erigir-se qualquer outro símbolo em regra de fé, depois de ter sido outorgada a Sagrada Escritura.

2. Demais. – Como diz o Apóstolo, uma é a fé. Ora, o símbolo é a profissão da fé. Logo, foi conveniente terem-se feito vários símbolos.

3. Demais. – A confissão da fé, contida no símbolo, diz respeito a todos os fiéis. Ora, nem a todos cabe crer em Deus, mas só aos de fé informada. Logo, inconvenientemente foi outorgado o símbolo da fé sob a forma destas palavras: Creio em um só Deus.

4. Demais. – A descida aos infernos é um dos artigos de fé, como já se disse. Ora, o símbolo dos Padres não faz menção da descida aos infernos. Logo, parece que foi inconvenientemente acrescentado.

5. Demais. – Como diz Agostinho, expondo aquilo do Evangelho Credes em Deus, crede também em mim – cremos em Pedro ou em Paulo; ora, crer só o dizemos em relação a Deus. Logo, sendo a Igreja católica algo de puramente criado, resulta que é inconveniente dizer: Numa, santa, católica e apostólica Igreja.

6. Demais. – O símbolo foi dado para regra de fé. Ora, esta deve ser proposta a todos e publicamente. Logo, devia cantar-se, na missa, qualquer símbolo, como o dos Padres. Portanto, não parece conveniente a disposição dos artigos da fé no símbolo.

Mas, em contrário, a igreja universal não pode errar, por ser governada pelo Espírito Santo, que é o Espírito de verdade. Pois. assim o prometeu o Senhor aos discípulos, dizendo: Quando vier aquele Espírito de verdade, ele vós ensinará todas as verdades. Ora, o símbolo foi dado por autoridade da Igreja universal. Logo, nada contém de inconveniente.

SOLUÇÃO. – Como diz o Apóstolo, é necessário que o que se chega a Deus creia. Ora, ninguém pode crer senão numa verdade que lhe seja proposta à crença. Por isso, foi necessário coligir as verdades da fé, para mais facilmente poderem ser propostas a todos, afim de ninguém ficar privado da verdade, por ignorância da fé. Ora, tal coleção dos artigos da fé recebeu o nome de símbolo.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. –­ A Sagrada Escritura contém as verdades da fé difusamente, sob modo diversos e, certas, obscuramente. De modo que, para extraí-las dela é necessário longo estudo e exercício, que nem todos os que têm necessidade de conhecê-las podem dispender; pois a maior parte, tomados por outras ocupações, não tem tempo de se dedicar a esse estudo. Por isso, foi necessário se fizesse sumariamente uma coleção clara das sentenças da Sagrada Escritura, para ser proposta à crença de todos. O que – porém não foi nenhum acréscimo à Sagrada Escritura, mas antes um extrato da mesma.

RESPOSTA À SEGUNDA. – Todos os símbolos ensinam as mesmas verdades da fé. Mas, há necessidade de instruir mais diligentemente o povo sobre elas, quando ocorrem erros, afim de não ser a fé dos simples corrompida pelos heréticos. Tal a causa de ter sido necessário comporem-se vários símbolos, só diferentes por explicar um, mais plenamente, o que outro contém implicitamente, conforme o exigia a instância dos heréticos.

RESPOSTA À TERCEIRA. – É como que a pessoa de toda a Igreja, unida pela fé, que propõe a confissão desta, no símbolo. Ora, a fé da Igreja é uma fé informada, que também se encontra em todos os membros da Igreja, pelo número e pelo mérito. Por onde, o símbolo transmite a confissão da fé enquanto conveniente à fé informada, de modo que se algum fiel não a tiver informada pode esforçar-se por alcançar essa forma.

RESPOSTA À QUARTA. – Como os heréticos não caíram em nenhum erro a respeito da descida aos infernos, não foi necessária nenhuma explicação sobre esse ponto. E por isso, não é repetido no símbolo dos Padres, mas suposto, como predeterminado, no dos Apóstolos. Pois, o símbolo subsequente não abole, antes, expõe o precedente, como já se disse.

RESPOSTA À QUINTA. – Quando se diz – na santa Igreja católica – devemos entendê-lo como significando ser a nossa fé referida ao Espírito Santo, que santifica a Igreja, de modo que o sentido é: Creio no Espírito Santo, que santifica a Igreja. Mas é melhor, segundo o uso comum, não se colocar aí a partícula na, mas dizer simplesmente, a santa Igreja católica, como diz também o Papa Leão.

RESPOSTA À SEXTA. – Sendo o símbolo dos Padres explicativo do dos Apóstolos, e tendo sido composto depois da fé já manifestada e quando a Igreja estava em paz, por isso é cantado publicamente na missa. Ao passo que o símbolo dos Apóstolos, composto no tempo da perseguição, quando a fé ainda não estava disseminada, é dito privadamente na Prima e no Completório, como que contra as trevas dos erros passados e futuros.