Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Artigo 5 – Se o dom do intelecto existe mesmo nos que não tem a graça santificante.

Parece que o dom do intelecto existe mesmo nos que não tem a graça santificante.

1 – Pois, diz Agostinho, explicando aquilo da Escritura – A minha alma desejou ansiosa as tuas justificações – O intelecto voa rápido, seguindo-o tardo, ou mesmo não o seguindo, o afeto. Ora, todos os que tem a graça santificante tem pronto o afeto, por via da caridade. Logo, pode existir o dom do intelecto nos que não tem a graça santificante.

2. Demais. – A Escritura diz, que é necessário haver inteligência nas visões proféticas; donde se conclui não ir a profecia sem o dom do intelecto. Ora, a profecia pode existir sem a graça santificante, como está claro no evangelho, onde aos que dizem – profetizamos em teu nome – responde-se: eu nunca vos conheci. Logo, o dom do intelecto pode existir sem a graça santificante.

3. Demais. – O dom do intelecto responde à virtude da fé, conforme aquilo da Escritura, de acordo com outra lição: Se o não crerdes não entendereis. Ora, a fé pode existir sem a graça santificante. Logo, também o dom do intelecto.

Mas, em contrário, diz o Senhor: Todo aquele que do Pai ouviu e aprendeu vem a mim. Ora, pelo intelecto, apreendemos e penetramos o que ouvimos, como o diz claramente Gregório. Logo, todo o que tem o dom do intelecto vem a Cristo, o que não é possível sem a graça santificante. Portanto, sem esta, não existe tal dom.

SOLUÇÃO. – Como já dissemos os dons do Espírito Santo aperfeiçoam a alma, levando esta a deixar-se facilmente mover pelo mesmo. Por onde, o lume intelectual da graça é considerado dom do intelecto, enquanto o intelecto humano se torna bem disposto para ser movido pelo Espírito Santo. Ora, consiste a influência dessa moção em fazer-nos apreender a verdade relativa ao fim. Por isso, enquanto o Espírito Santo não mover a inteligência humana para ter apreciação exata do fim, não consegue ela o dom do intelecto embora conheça por iluminação do mesmo Espírito outros preâmbulos a esse dom. Ora, essa apreciação exata do último fim só a possui aquele que não erra, relativamente a ele, ao qual esta unido, como ao que é ótimo. E isto só o consegue quem tem a graça santificante, assim como, na ordem moral, o homem exerce uma apreciação reta do fim pelo hábito da virtude. Por onde, ninguém tem o dom do intelecto sem a graça santificante.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. ­– Agostinho chama intelecto a qualquer iluminação intelectual, que contudo não realiza o dom na sua essência perfeita, se não nos levar a inteligência a apreciar com retidão o fim.

RESPOSTA À SEGUNDA. – A inteligência necessária à profecia é uma iluminação da mente relativa ao que é revelado aos profetas; não o é, porém, relativamente à apreciação reta do fim último, o que pertence ao dom do intelecto.

RESPOSTA À TERCEIRA. – A fé implica somente um assentimento ao que lhe é proposto. Enquanto que o intelecto implica uma certa percepção da verdade, que não pode ser relativa ao fim senão em quem possui a graça santificante, como se disse. Logo, o caso não é o mesmo, no tocante ao intelecto e à fé.