Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Artigo 4 – Se o sujeito da justiça é a vontade.

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O quarto discute-se assim. – Parece que o sujeito da justiça não é a vontade.

1. – Pois, a justiça é às vezes chamada verdade. Ora, a verdade não reside na vontade, mas, no intelecto. Logo, o sujeito da justiça não é a vontade.

2. Demais. – A justiça supõe relação com outrem. Ora, ordenar uma coisa para outra é próprio da razão. Logo, o sujeito da justiça não é a vontade, mas, antes, a razão.

3. Demais. – A justiça, não se ordenando ao conhecimento, não é uma virtude intelectual. Donde se conclui que é uma virtude moral. Ora, o sujeito das virtudes morais é o racional por participação, que é o irascível e o concupiscível, como está claro no Filósofo. Logo, o sujeito da justiça não é a vontade, mas, antes, o irascível e o concupiscível.

Mas, em contrário, diz Anselmo, que a justiça é a retidão da vontade, retidão observada pelo que em si mesma é.

SOLUÇÃO. – É sujeito de uma virtude a potência, cujos atos a virtude é ordenada a retificar. Ora, a justiça não se ordena a dirigir nenhum ato cognoscitivo; pois, não somos considerados justos por conhecermos com retidão alguma coisa. Logo, o sujeito da justiça não é o intelecto ou a razão, que é uma potência cognoscitiva. Mas, como somos considerados justos por agirmos retamente, e o princípio próximo do agir é a potência apetitiva, necessariamente a justiça tem nalguma potência apetitiva o seu sujeito. Ora, há um duplo apetite, a saber: à vontade, que se funda na razão, e o sensitivo, consequente à apreensão sensível, que se divide em irascível e concupiscível, como estabelecemos na Primeira Parte. Ora, dar a cada um o que lhe pertence não pode proceder do apetite sensitivo, porque a apreensão sensitiva não pode chegar até a consideração da proporcionalidade entre uma e outra, o que é próprio da razão Por onde, a justiça não pode ter como sujeito o irascível ou o concupiscível, mas, só a vontade. Por isso o Filósofo define a justiça pelo ato de vontade, como do sobredito claramente resulta.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. –­ Sendo a vontade um apetite racional, daí vem que à retidão da razão, à que chamamos verdade, quando impressa na vontade, pela sua união com a razão, damos-lhe o nome de verdade. Donde, às vezes, o chamar-se à justiça verdade.

RESPOSTA À SEGUNDA. – A vontade busca o seu objeto, consequentemente à apreensão racional. Por onde, como a razão ordena uma coisa para outra, a vontade pode querer uma ordenadamente à outra, o que é próprio da justiça.

RESPOSTA À TERCEIRA. – Racional por participação não só é o irascível e o concupiscível, mas também, todo apetite, como diz Aristóteles. Porque todo apetite obedece à razão. Ora, no apetite se inclui a vontade. Por onde, a vontade pode ser o sujeito da virtude moral.