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EUA: divórcio, aborto e chacina

Postado em 29-12-2012

O que mais me chamou a atenção nos comentários referentes à última chacina ocorrida nos EUA foi o fato de quase todas elas se limitarem ao ramerrão da campanha de controle da posse de armas pelos cidadãos americanos, direito garantido pela segunda emenda à Constituição norte-americana. Li apenas uma notícia que informava que o jovem psicopata Adam Lanza, executor do massacre, tinha tido uma piora de suas faculdades mentais por ocasião do divórcio de sua mãe. A qual, tudo indica, também não era lá uma pessoa muito sensata, visto que, apsesar de saber dos problemas de seu filho, o mantinha próximo de um verdadeiro arsenal, em um ambiente quase obsessivo pela questão da segurança pessoal.
Os comentários e análises da tragédia batem exclusivamente na tecla de que é necessário tomar uma medida concreta para cortar o mal pela raíz, mas apenas no plano, diria, material. Não tomei conhecimento de nenhuma palavra das autoridades do EUA, a começar pelo presidente da República, sobre as causas morais de um comportamento tão estranho da população do país mais rico, importante e influente da Terra.
Na minha modesta avaliação, a notória obsessão dos americanos pelo tema da segurança pessoal e do patrimônio particular resulta de uma cultura materialista de origem protestante e judaica que produziu um culto ao dinheiro e ao trabalho, vistos como únicos fatores de prestígio pessoal, e uma concepção falsa do direito de propriedade. O direito de propriedade, entre os protestantes e judeus desenraizados e cosmopolitas, está desvinculado de sua função mais nobre que é assegurar a estabilidade da família em uma região ao longo dos séculos, permitindo-lhe ser realmente a instuição que garante a transmissão dos valores morais e religiosos através das gerações. A propriedade é considerada só uma forma de investimento. O culto ao dinheiro é tão grande entre os protestantes norte-americanos que chegaram a ver na versão correta do Padre-Nosso (perdoai-nos as nossas dívidas assim como perdoamos aos nossos devedores) uma ameaça à ordem econômica e, por isso, mudaram a oração do Senhor para “perdoai-nos as nossas ofensas”.
De maneira que, debilitada no exercício de sua missão mais alta e reduzida a um núcleo quase insignificante de uma união efêmera entre um homem e uma mulher e poucos rebentos, a família no mundo moderno, soretudo nos EUA da pseudocultura de Hollywood e do Mc Donalds, não tem podido constituir-se um santuário de conservação, proteção e transmissão da vida humana. Com efeito, como pode um país, que tem como secretária de Estado, uma megera feminista, como a bruxa Hilary Clinton, que percorre o mundo propagando a idelogia feminista de perversão das mulheres ( que na visão da referida senhora devem apenas ser incorporadas ao mercado de trabalho para gerar mais riqueza), como pode tal país ter famílias bem estruturadas que assegurem equilíbrio psicológico às crianças?
Corrompida em suas propriedades essenciais desde o início do matrimônio (já não contraído em obediência a sua hierarquia de fins), a família terá como sua extensão não mais a paróquia e a escola como suas auxiliares na tarefa de educar as crianças, mas a clínica de aborto ou a clínica psiquiátrica para sanar em vão os excessos de uma sociedade hedonista que se recusa a reconhecer os seus erros de princípio.
Sei que clamo no deserto como o meu santo patrono. Sei que se eventualmente algum dos articulistas da grande imprensa que teceram considerações sobre a tragédia de Newtown ler estas linhas dirá que eu é que devo ser internado em manicômio e a Internet deve ser censurada a fim de não ser veículo de idéias obscurantistas da Idade Média. No entanto, afirmo minha convicção de que a sequência de causas dos quase corriqueiros massacres nos EUA é esta : sua origem religiosa herética, o divórcio e o aborto. Deblaterar contra a obsessão pela posse particular de armas é combater o efeito e não causa. Além do que pode ser uma injustiça, pois, em princípio, pode justificar-se a posse de armas pelos cidadãos.
Em tempo: curiosamente (se não estou enganado) na Idade Média e no Antigo Regime, a posse de armas era restrita aos nobres que tinham o dever de garantir a ordem social. Os clérigos não podiam portar armas. Hoje, como prevalece o igualitarismo, fica difícil estabelecer direitos e deveres próprios de cada grupo social.

Pe. João Batista de Almeida Prado Ferraz Costa

Anápolis, 29 de dezembro de 2012

Festa de São Tomás de Cantuária.
Bispo e Martir